terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Humilhação.

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Esta é uma postagem em resposta à enquete feita no grupo BDSM Brasil, onde os membros votaram por um tema, então vamos falar sobre humilhações. O artigo será totalmente nu e cru, a fim de não amenizar os riscos e peso que estas práticas podem gerar.

Vale lembrar que humilhações estão diretamente ligadas ao SM, que simboliza a parte sadomasoquista do BDSM.

Humilhação: Humilhar significa rebaixar. Ao todo, a humilhação no BDSM consiste em ofender ou rebaixar a pessoas com termos que a excitem, todos os termos são tidos como ofensas no meio social: Gorda, negra, vadia, mucama, puta e muitos outros termos.  Humilhações também podem resumir-se a atos que rebaixem o(a) parceiro(a).

As humilhações não separadas por níveis, pois uma ofensa simples pode tornar-se um pesadelo caso a pessoa tenha algum trauma ou fique realmente ofendida pelo termo usado. E o uso constante das práticas humilhantes tendem a gerar, por si sós, traumas, depressão, subdrops e subburnouts com extrema facilidade. Além da queda da auto estima que pode ocorrer sempre que uma prática assim for feita. Falemos agora sobre algumas práticas:


Ofensas: São a forma mais "básica" de humilhação. Ofensas sempre devem ferir a moral da pessoa, caso contrário tornam-se um elogio. Pessoas sentem prazer ao serem ofendidas, ter algo que as envolva humilhado, serem rebaixadas e aqui entra termos ofensivos, estes podem ser muitos que vão até termos que fora do BDSM seriam racistas ou sexistas.

Scat:  Os adeptos de Scat sentem prazer na prática não somente pelo cheiro e textura das fezes, mas também porque fezes dão o sentimento de sentir um vaso sanitário, um monte de 'nada", não há como definir especificamente o sentimento, mas é um sentimento humilhante para quem está como passivo(a). Quem está ativo, sente-se poderoso, superior ao praticar.

Riscos: Os riscos do SCAT são muitos, visto que as fezes são dispensa corporal, contendo bactérias mortas e salmonelas que possuem muitos riscos.

Pissing: Quase o mesmo sentido que o Scat, com a exceção do odor, pois a urina com mal cheiro sugere algum problema ou falta de líquido corporal, assim como o tom alaranjado. A pessoa sente prazer ao ser urinada ou urinar em outrem pela interpretação de superioridade e inferioridade.O pissing não oferece os mesmos riscos que o Scat.

Chuva prateada(Cuspe/suor): A prática de cuspir na face ou corpo de uma pessoa.ou lamber o suor da mesma.. A sensação é a mesma que o pissing, porém no caso do suor há o sentimento de "estar a limpar" a pessoa que momento está em papel superior. Não há riscos práticos em relação à esta prática.

RacePlay: Consiste em humilhar a pessoa por sua cor ou etnia. Lembrando que raceplay é um jogo consensual entre adultos, os termos de roleplay não são usados com o tom real do meio social. No Raceplay é comum haver o  NaziFetish que explicarei abaixo. O Raceplay pode conter termos racistas e xenofóbicos como "mucama", "escrava" e outros.

Riscos: Traumas profundos, queda de estima, depressão, subdrop.

NaziFetish:  e outros, onde a pessoa incorpora um papel, por exemplo, de um soldado nazista e a parte passiva de um judeu ou um negro e ambos fazem um role muito similar ao do nazismo real.

Riscos: Traumas profundos, queda de estima, depressão, subdrop.

Pênis pequeno: Uma forma de humilhação  é o deboche sobre o tamanho do pênis do parceiro. Uma cena é feita em torno deste cenário.

Riscos: Traumas profundos, queda de estima, depressão, subdrop.

Humilhação ao corpo:  No BDSM há pessoas que fazem jogos de humilhação em relação ao corpo da pessoa, por ser magra ou gorda, então nesta cena são usadas formas de humilhar a pessoa em relação a isso, seja com ofensas verbais ou escrita em seu corpo.

Riscos: Traumas profundos, queda de estima, depressão, subdrop.

Cuckold: Cuckold é um jogo de exibicionismo e incorpora diversos fatores, mas foquemos na parte humilhante em alguns casos. Em muitos sites e ao vermos adeptos da prática, vemos esposas gostarem de ter escrito em seu corno: "Puta do comedor", "corno manso", assim como a parte do parceiro sentir prazer na humilhação de ver outro homem transar ou ter uma sessão com sua mulher, e melhor ainda caso este tenha o pênis maior que o dele ou transe melhor. O feminino de Cuckold é Cuckquean.

Riscos: Traumas profundos, queda de estima, depressão, subdrop.

Término: Como podem ver, humilhações podem ser muitas coisas, não citarei mais práticas para que o artigo não fique extenso, porém lembre-se que estas práticas podem causar, com extrema facilidade, algum trauma, a ponto de colocar a pessoa em estado depressivo. 

Sempre converse  com o seu Bottom em relação a estas práticas e o indicado é que, em alguns casos, não as faça constantemente porque você com certeza irá quebrar o(a) seu(ua) bottom. Após a sessão, use e abuse do After Care, dê intervalos para ele, aumente sua moral, o elogie, estas são pequenas coisas que podem amenizar a intensidade de uma cena com humilhação. Diálogo e bom-senso, além de empatia, são obrigatório para as práticas.
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domingo, 11 de dezembro de 2016

Liturgia

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Falemos sobre liturgia e onde ela se encaixa, este será um texto complexo para que não sobrem dúvidas acerca do tema. Fora do brasil o termo liturgia inexiste, porém pode-se encontrar o tema "protocol' , que diz exatamente o que defino neste artigo.

O que é Protocolo/liturgia ?

1 - A reunião dos elementos ou práticas que, regulamentados por uma igreja ou seita religiosa, fazem parte de um culto religioso.

2 - Conjunto dos modos usados no desenvolvimento dos ofícios e/ou sacramentos; rito ou ritual.Catolicismo. Segundo as ciências eclesiásticas, a história do culto católico. Também se pode referir à missa; a própria missa.

Os sinônimos de liturgia são: Rito, missa e ritual.

Existe liturgia no meio BDSM ? Sim, porém não aplicada ao geral. Não há uma regra que defina como todos devem se comportar, não há uma obrigatoriedade comportamental a ser seguida, porém podemos aplicar liturgias em clãs, festas, encontros ou grupos. Nem mesmo as cerimônias BDSM são obrigatórias, tais como cerimônia das rosas e encoleiramento, portanto realmente podemos concluir que não existe uma liturgia que todos os adeptos do meio BDSM devam seguir.


Então onde entram os protocolos ?

Em festas, cerimônias, clãs, munchs e grupos. É muito comum ver grupos ou clãs com muitas regras, desde o ingresso da pessoa ao ensinamento. É passada uma ideia deste grupo e todos que fazem parte dele, o seguem. Por exemplo: Nomes próprios, postura, forma como bottoms e tops se vestem e até mesmo o vocabulário. Alguns clãs utilizam até mesmo pactos de sangue para quem entra, a pessoa deve  fazer um pequeno corte e fazer alguma jura ou promessa.

A liturgia mais clássica dos grupos é chamar tops de senhor, e também o uso das coleiras para dizer em qual situação a Bottom se encontra, esta é muito utilizada em algumas parties SM. Os tipos coleiras podem ser vistas aqui.

Liturgia também é muito utilizada em relacionamentos DS, onde Bottom e Top possuem rituais a seguir dia após dia, e acham os ritos importantes para que a relação continue com o seu arquétipo, sem ser quebrado. Também é possível ver liturgia, mas não BDSM, em encontros de mestres Shibaristas, shibaristas costumam seguir o ideal da prática e possuem todo o ritual de preparo para isto.

No final, notamos que grupos, clãs e afins adotam diversos ritos de outras subculturas e as inserem no BDSM, pois acham a ideia por trás do ritual bela e significativa a eles. Alguns casais utilizam as cerimônias de encoleiramento e das rosas para fixar, de forma litúrgica, o relacionamento.

No Brasil é comum a liturgia ser utilizada de forma generalizada, algo que vai de contramão  ao consenso e a origem hedonista do BDSM que veio do Sm Subculture. Como uma subcultura pode pregar liberdade sexual e prazer abundante e ao mesmo tempo limitar ? Há uma incoerência na argumentativa, pois podemos utilizar os eventos públicos internacionais, onde todos usam látex e praticam na rua, de forma hedonista, sem se preocupar se estão a ser vistos ou se há algum rito naquilo.

Como é possível haver uma liturgia que todos devam seguir se o que vemos, onde o BDSM nasceu, é o oposto ? Cenas cheias de sexo, prazer, humilhação e exibicionismo ?

Dada a nascença do BDSM, sabemos que é impossível existir uma liturgia BDSM geral, portanto esta fica a grupos fechados, festas e afins como citei anteriormente.

A liturgia pode ser bela quando vista ou praticada. Eu mesmo tenho enorme estima pela cerimônia das rosas. Toda a simbologia dela é bela, e os debates de alguns grupos fechados são muito interessantes, pois ali prega-se uma educação

Quando os protocolos tornam-se prejudiciais ?

A liturgia torna-se prejudicial quando a se prega fora dos grupos, quando a usamos de forma geral, a dizer que todos ou todas devem seguir, pois aquela liturgia daquele grupo é a certa e as demais são erradas. Aqui a pessoa começa a quebrar todo o leque de posições existentes no BDSM, e também ignorar toda a diversidade e origem do BDSM. Se alguma liturgia é boa para ti, fale sobre ela, mas não obrigue quem não é do seu clã ou grupo a segui-la, pois ele(a) não é obrigado(a). O BDSM em si prega a liberdade e dizer que todos devem seguir uma regra comportamental é excluir todo o processo evolutivo. A liturgia costuma geralmente excluir brats, tamers, daddys, littles, primals, preys, masoquistas e sádicos, pois são posições que, geralmente, não aceitariam regras. E BD(Shibari/Dorei/BunnyRope) possuem regramentos e ritos totalmente diferentes do posicionamento DS.

Sejam criativos, liturgia é algo saudável, desde que não se obrigue quem é de fora segui-las.


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 SOBRE MIM

Meu apelido tanto no meio quanto fora dele é Vince. Muitos leem o blog, porém desconhecem quem escreve. Todos estes anos, trabalhei neste blog sozinho, porém alguns artigos tiveram supervisão de adeptos que considero, tais como Ariel Succubi, Vaca Profana e WZ. Então não foi tão sozinho assim, inclusive o tópico sobre as bases foi feito por Dom Alighieri e eu. Este artigo foi difícil, mas conseguimos!


Minha posição no meio BDSM é Top, mas sendo mais específico, sou Daddy, Tamer e sádico. Sou este carinha aqui.

Sou uma pessoa simples. Comecei no BDSM aos 18 anos, mas já era apaixonado por toda a complexidade que este envolve antes. Lia, lia e filtrava, então tive a primeira prática aos 18 e resolvi passar a frente tudo que aprendi e aprendo, pois a vida é um eterno aprendizado.

Minha prática favorita e mais constante é o Needleplay, cujo ensino gratuitamente em São Paulo quanto tenho tempo. Não cobro pelos workshops, sempre peço que cada um traga seu material. Não consigo cobrar 100-150 reais para ensinar em um país onde o salário mínimo é de 900 reais. Deixo a cobrança para as feiras as quais palestro, empresas que possuem dinheiro para pagar por isto. Prefiro que o conhecimento chegue a mais pessoas gratuitamente do que a poucas pagantes. Também ensino casais de São Paulo que me procuram para praticar algo com segurança.


AGRADEÇO A TODOS!

Agradeço a todos pelo apoio, pois são vocês, leitores, que leem e comentam que me mantém a escrever, traduzir, compreender e absorver mais do mundo BDSM. Faço por autoconhecimento, mas compartilho com todos tudo o que aprendi e espero que eu tenha lhe ajudado de alguma forma. 

Foram anos de esforço, conteúdo e prática, jamais pensei que este blog seria lido tantas vezes e visto em tantos grupos sobre BDSM. A minha maior felicidade é entrar em grupos ou sites e ver este blog como indicado, não sabem o quanto isto me preenche. O carinho e afeto de vocês me animam em demasia. às vezes penso em parar de escrever, mas penso em quantos leem aqui e perderiam informação. Então sempre escreverei e guardarei  um momento para o blog!

O blog foi aberto em 2012, já são quase 9 anos de prática e 4 anos de blog e espero que mais anos estejam por vir. Agradeço a vocês, que me leem, pois sem vocês, este blog não seria o mesmo. Façam também seus blogs e compartilhem outros blogs. Pratiquem o que leem e lembrem-se, consenso é a chave de tudo aqui!


Alguns blogs que indico muito para leitura:


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