segunda-feira, 6 de março de 2017

Asfixiofilia - Jack Napier.


Artigo criado por Jack Napier.

Primeiro quero ressaltar que não será aqui tratado o tema da asfixia autoerótica que é uma pratica para adeptos ao suicídio, vide caso da morte bizarra do ator David Carradine ou de Michael Hutchence, vocalista da banda australiana INXS, por auto-sufocamento masturbatório, o risco é desmaiar e, portanto, não conseguir afrouxar o aparato mecânico de sufocamento com consequente falecimento.

Gostaria de tratar aqui a pratica feita de forma cuidadosa e consensual de asfixiar onde é reduzida intencionalmente a emissão de oxigênio para o cérebro durante uma estimulação sexual com o intuito de aumentar o prazer do orgasmo.

A Asfixiofilia consiste em induzir no indivíduo um estado de hipóxia através da privação mecânica de oxigênio, causando êxtases quando o seu cérebro ultrapassa a região do umbral entre a consciência e o desfalecimento.

A pratica é conhecida faz muitos séculos, era praticada já na antiga Roma. Na Europa moderna, a ligação entre estrangulamento e sexo é conhecida pelo menos desde o século 17. Um caso famoso é o da japonesa Sada Abe, que em 1936 matou seu amante num jogo de estrangulamento sexual.

A pratica é muito perigosa e precisa ser conduzida com muito cuidado, abri este debate para avaliar as práticas, métodos e principalmente os aspectos de segurança.

Lembre-se que praticando a Asfixiofilia estará colocando literalmente a sua vida nas mãos de alguém.

Colocarei aqui algumas referências para iniciar o debate.

Temos três tipos de Asfixia ou breath control play (jogo de controle da respiração) que são praticados, lembrando que o uso da Safeword é impossibilitado pela natureza intrínseca da pratica:

1) Leve: quando a Asfixia acontece de forma muito moderada até o sub começar a reclamar e/ou se debater ou até mostrar sinais de que vai se render;

2) Moderada: quando o Top asfixia o sub até este último mostrar que não vai mais resistir e neste ponto para;

3) Intensa: quando o sub chega a poder desmaiar / perder momentaneamente os sentidos.

O nível de asfixia dependerá do tempo de aplicação do sufocamento assim como das condições físicas do sub.

Regras de segurança fisiológicas:

1) Nunca feche o fluxo de sangue que segue diretamente para o cérebro por meio de oclusão das artérias jugulares. Esta pratica pode causar danos irreversíveis ou morte mesmo no nível de brincadeira, pois a falta direta de fluxo sanguinho ao cérebro gera fenômenos físicos espontâneos de aumento da pressão arterial, taquicardia paroxística, eventual fibrilação, enfarte, mesmo horas após o termino da pratica. Alguns praticam, mas é de longe a pratica mais arriscada que existe no BDSM podendo realmente conduzir à morte em muitos casos.

2) Nunca aperte com força a parte anterior da garganta e pescoço, pode causar danos à base da traqueia e/ou laringe. A laringe é muito mais delicada do que acreditamos, as lesões podem ser superficiais, com dores por vários dias até a ruptura com consequente sufocamento e morte se não for praticada imediatamente uma traqueotomia.

3) Nunca deixe de considerar como de extrema importância sinais como espasmos (tanto na região torácica e principalmente do diafragma), ânsia de vomito, olho vácuo, mudança de cor da pele (palor extremo ou aspecto cianótico). Estes sinais refletem condições fisiológicas extremas do sub que podem ocasionar sequelas, e ao aparecer a pratica deve ser imediatamente interrompida sem exceções.

Regras de segurança: objetos.

1) Nunca use objetos de espessura inadequada para praticar o estrangulamento do sub. É recomendado utilizar saco plástico (somente transparente), cinto, lençol, ou outros objetos com uma espessura mínima de 5 cm o que reduz o risco das lesões descritas supra, nunca use torniquetes.

2) Nunca use algo que não possa permitir a liberação imediata do sub e portanto a interrupção imediata do estrangulamento. Não use arames, não faça nós, não feche o cinto, não use saco plástico grosso, etc. Numa condição aparentemente normal pode parecer fácil desatar um nó, ou abrir um cinto em menos de um segundo, mas se por exemplo houver um inchaço, a coisa pode se tornar difícil com consequente condução para a morte do sub.

Regras de segurança: Tempo.
As chances de cinco segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são realmente, realmente, realmente baixas, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva, em que aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso ao coração e aumenta a pressão arterial.)

As probabilidades de 30 segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são muito, muito baixas, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva.)

As chances de um minuto de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são realmente baixos, mas não zero. (A morte por asfixia de breve período de tempo é provavelmente causada pelo efeito de Valsalva.)

As probabilidades de 90 segundos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca são baixos, mas não zero.

As probabilidades de dois minutos de estrangulamento ou asfixia, causar parada cardíaca não são tão baixas assim. Entramos realmente na área de risco fisiológico geral.

As chances de mais de dois minutos de estrangulamento ou asfixia matar alguém são serias, temos sim a probabilidade de ter um grande problema em nossas mãos.

De três até cinco minutos de estrangulamento ou asfixia, com certeza estamos em sérios apuros com nosso sub tendo que ser reanimado, com grande risco de morte.

Em 10 minutos não há mais o que fazer, é caso de polícia por homicídio.

Há também um rol considerável de complicações secundárias documentadas devidas ao estrangulamento, incluindo, mas não se limitando, a fratura da laringe, paralisia de um ou de ambas as cordas vocais devido a contusão de um ou de ambos os nervos recorrentes, cegueira súbita, hemorragia cerebral, fratura do osso hioide no pescoço, fratura / deslocamento das vértebras cervicais e / ou danos na medula espinal, desalojando de uma placa aterosclerótica nas artérias carótidas que viajam até ao cérebro com consequente acidente vascular cerebral, e óbitos ocorridos até três dias após a aplicação do estrangulamento devido ao inchaço e formação e dissolução de um coágulo ou de pós-choque dos tecidos.

Sabemos que "pessoas mais velhas" enfrentam maiores chances de um desfecho fatal ao se envolver em asfixiofilia que "as pessoas mais jovens". Sabemos que pessoas "doentes", especialmente pessoas com doenças cardíacas, enfrentam maiores chances de um desfecho fatal do que "mais saudáveis". Sabemos que outros fatores aumentam as chances de um desfecho fatal: o uso de álcool, drogas, antidepressivos tricíclicos, níveis elevados de adrenalina no sangue.

Pelo sub que se submete ao tratamento de hipóxia (falta de oxigênio), o primeiro sintoma é frequentemente euforia. Muitos falam que gostam do momento em que estão perdendo os sentidos. Habilitar alguém a estrangular ou sufocar com certeza requer um extraordinário grau de submissão e confiança no Dominador. A recompensa são orgasmos muito mais intensos do que o normal. Isto se deve também ao aspecto psicológico pelo qual o sub, ao perder o controle da própria respiração, entra em um estado emocional de entrega total, medo pela própria vida, sensação de submissão sem nenhuma barreira ou restrição.

Pessoalmente nunca ultrapassei a fase leve, sempre com extremo cuidado e com parceiras sub que conhecia muito bem, jovens e em boa saúde.

A pratica do breath control play é banida na maioria das comunidades BDSM do mundo devido aos seríssimos perigos relacionados.

Para maiores esclarecimentos recomendo a leitura do Jay Wiseman's "Closing Argument" On Breath Play (infelizmente somente em inglês)

http://www.jaywiseman.com/SEX_BDSM_Breath_Closing_Argument.php

Qual o limite de segurança aceitável desta pratica então?



Esse debate é para todos, Dominantes e submissos.

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